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terça-feira, 28 de julho de 2009

A importância de decidir se a estratégia digital deve preferir a audiência ou a qualificação.


Desde que trabalho com mídia digital vejo os mesmos questionamentos quando um cliente deseja veicular uma campanha no meio digital. O meio evoluiu, extrapolando a internet e passando a incluir, aos poucos, a mobilidade. Mas os anunciantes ainda não acompanharam essas mudanças, como podemos ver por alguns fatores específicos.

O mais forte desses fatores é o financeiro: já escutei diversas vezes que não se investe tanto em internet, pois o retorno é menor. Hummm, não concordo com isso e acho, inclusive, que é uma observação viciada e equivocada. A internet brasileira, hoje, já tem mais de 62 milhões de usuários, o que a torna definitivamente uma mídia de alta cobertura. Estes milhões de usuários visitam sites e canais diferentes, buscando conteúdos, comprando produtos, procurando serviços específicos que o meio digital trouxe para facilitar a sua vida, como ir ao banco, comprar, paquerar, se atualizar, viajar, jogar, ouvir, comunicar e interagir.

No entanto, a verba destinada para as campanhas digitais ainda está longe de remunerar adequadamente os veículos que oferecem esses conteúdos e serviços, tornando a relação desequilibrada para o lado dos anunciantes. Se formos pensar direito e racionalmente, sabemos que há blogs com uma audiência muito maior que grandes jornais de circulação nacional. E não estou falando dos portais. Muitas vezes, um blog é um site vertical que atinge um grande número de leitores diariamente.

No Brasil, o share para mídia digital não atingiu ainda os 4% do total investido em publicidade, enquanto nos Estados Unidos já supera os 10% com previsão de chegar a 15% em 2013 e, na Inglaterra, já representa 20% com previsão de chegar aos 25% até 2013.

Há também as Ad Networks, que concentram diversos sites verticais e têm um alcance bem maior, pois apresentam a soma não duplicada de vários sites e audiência dentro de um target específico.

Existe um desafio grande, sempre grande, de mostrar aos mídias o diferencial de um portal, de uma ad network, de um blog ou de um site vertical. A defesa tem que ser sempre muito bem feita, pois, além de convencer o mídia do valor do conteúdo, este tem que convencer o anunciante. Porque, no fim, o argumento é que é mais fácil concentrar a verba nos portais, simplesmente para facilitar o trabalho e evitar muitos questionamentos.

Mas relembro que os mídias normalmente levam em consideração alguns fatores para decidirem onde veicularão as suas campanhas: Audiência, Qualidade Editorial, Target e “Visual” do site. Os portais facilitam em muito seu trabalho, por já serem conhecidos e terem uma audiência constante. Mas eles se esquecem dos verticais e das AdNetworks, que concentram uma grande parte da audiência qualificada e segmentada, facilitando assim a otimização das verbas dos anunciantes.

As AdNetworks, especificamente, apresentam vários diferenciais que ainda não foram totalmente percebidos pela maioria dos mídias brasileiros: são segmentadas, oferecem uma audiência cativa e qualificada na busca por informações e tendem a reagir melhor à publicidade quando esta é bem direcionada, dentro do contexto do conteúdo. Isso, falei de contexto agora e esse é só o começo. Nos Estados Unidos, as Ad Networks já representam um volume considerável dentro do mix de comunicação digital, chegando a 14% do valor total investido online no País. Trata-se de um volume representativo, enquanto no Brasil estamos somente engatinhando neste sentido.

Voltando à questão principal deste artigo, “O que as marcas procuram? Audiência ou qualificação?”. Não há uma resposta certa para o que elas procuram. A única certeza é que, tanto para audiência como qualificação, as Ad Networks, os Portais e os Websites Verticais atenderão a essa demanda. Tudo dependerá do objetivo do anunciante e o que ele deseja quanto à audiência: qualidade ou quantidade?



Por Fernando Tassinari (diretor geral da Realmedia Latim America)
Fonte: PropMark (http://www.propmark.com.br/)

Google - A empresa do século XXI


Para mim, o que é de fato singular na Google é que ela é o protótipo da organização do século XXI. É orientada à informação e abastecida por knowledge work (trabalho que como ponto de partida utiliza a informação).

Não tenho uma opinião sobre quanto as ações dela deveriam valer ou se a empresa será bem-sucedida com outro grande produto para capitalizar a pesquisa e a propaganda. O que me impressiona é a abordagem da Google em management. Se você começasse a desenhar a organização ideal no novo milênio tomando como base que ela faz knowledge work, você provavelmente chegaria a algo parecido com a Google.

Se sua organização ideal fosse uma que se preocupasse em obter novas idéias e produtos de seus funcionários, então ela encorajaria bastante seu pessoal a gastar uma parte do tempo com inovação.

Você estaria ciente de que existiriam pequenas barreiras para encontrar inovações nos dias de hoje e deixaria os próprios clientes decidirem quais delas seriam de fato úteis a eles.

Se essa organização ideal se importasse com produtividade, você proveria uma gama de serviços, na maior parte gratuitos, para que seus funcionários pudessem se focar apenas no trabalho deles. Um desses serviços, por exemplo, seria prover uma alimentação atrativa e de alta qualidade na cafeteria, de forma que eles não se distrairiam procurando por locais para se alimentar.

Você faria uso intensivo da analytics (uso da matemática para tomada de decisões nos negócios) e levaria vantagem da vasta quantidade de dados a seu dispor.

Você contrataria, antes de mais anda, os profissionais de melhor qualidade, e concentraria seus esforços em determinar analiticamente o que “melhor qualidade” significa. Se você quisesse contratar e manter essas pessoas, você proveria um ambiente intelectual estimulante no trabalho e faria dele um local de trabalho divertido.

Você pensaria cuidadosamente sobre o ambiente tecnológico, mas também sobre o ambiente físico – porque o local de trabalho físico ainda é importante. Como as pessoas dessa organização ideal seriam espertas e “conectadas”, você pediria a elas que participassem de mercados onde a previsão é importante e de programas de sugestão on-line.

A Google, como você deve ter adivinhado, faz tudo isso. Claro, ela não é perfeita. Ela apenas permite que seus funcionários técnicos e gestores dediquem um tempo específico à inovação, de forma que é improvável que eles apareçam com inúmeras descobertas de processos de negócios não técnicos.

Ela também não conseguiu resolver como manter seus melhores talentos enquanto cresce e se torna uma grande organização. Alguns executivos importantes, por exemplo, abandonaram-na e foram para a Facebook ou alguma outra empresa.

O mundo seria um lugar melhor se a Google pudesse realizar seu objetivo de organizar toda a informação do mundo. Não vou prender minha respiração até isso ocorrer, mas estou contente que a Google esteja tentando alcançá-lo. Não posso pensar em outra organização hoje que esteja mais apta a atingir essa meta tão distante.

Fonte: Harvard Business Online
19/01/2009
Thomas O. Davenport é presidente da Information Technology and Management na Babson College e responsável pelo Process Management Research Center.